domingo, 23 de março de 2008

Texto 1 - Silva

A defesa da tese do autor gira e torno da idéia de que o fascismo não faz parte de um “passado histórico”. Destaca, assim, sua contemporaneidade, mostrando a importância dessa visão para o historiador, visto que um especialista deste tema trabalhava-o de forma diferente no fim dos anos 40 e durante os anos 50.

Silva ressalta que o fascismo como “fenômeno de uma época” tornou-se uma interpretação obsoleta frente ao cenário político europeu dos anos 90, quando grupos neofascistas tomavam corpo considerável. Soma-se a isso a abertura e publicação de arquivos, até então ocultos, pós-segunda guerra mundial, por parte dos EUA, da Inglaterra, da Federação Russa e até da Gestapo (estes abertos após a queda do muro de Berlim, em 1989).

Com essa idéia em mente o autor constrói uma ponte entre o fascismo histórico e o neofascismo, ressaltando o quão falha é a visão de demonização da Alemanha quando se reduz o evento como exclusivo deste país, circunscrevendo o fascismo ao nazismo. A crítica do autor a essa visão pode ser considerada contundente, tendo em vista que o fascismo nasceu com Mussoline, na Itália, onde alcançou o poder em 1922, onze anos antes de Hitler se tornar führer. Além disso, há a visão historiográfica que não avalia a importância dos movimentos fascistas em outros países da Europa, como a Hungria ou Portugal, o que é criticado veementemente pelo autor. É percebendo que novos movimentos fascistas crescem na atualidade que o historiador se vê obrigado a criar uma nova metodologia para o estudo do fenômeno, o que ele faz baseando-se num método comparativo a partir da construção de um modelo e das realidades singulares de cada país, em cada época.

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