sexta-feira, 20 de junho de 2008

Texto 10 – Krause-Vilmar

A negação dos assassinatos em massa cometidos pelos nacional-socialistas durante a Segunda Guerra ficou conhecida como revisionismo. Os revisionistas vêm ganhando espaço, visto que a atual geração encontra-se bem distante do que ocorreu nas décadas de 30 e 40. Os jovens do século XXI podem tender à descrença quanto aos relatos-denúncia do holocausto por estes fazerem parte de um passado embaçado e cruel demais para seu entendimento. É por isso que é tão importante trazer o tema para a atualidade, informando os estudantes e a população em geral. O professor Vilmar cita uma colocação da historiadora norte-americana Deborah Lipstadt que acho válida destacar: “Necessitamos nos ocupar da questão porque as forças da Razão são vulneráveis e porque a sociedade é suscetível a idéias aberrantes” (Krause-Vilmar, p. 1). Ora, nossa sociedade se torna cada vez mais alienada e, por isso, vulnerável a idéias que, à primeira vista, parecem contundentes, mas não são. Precisamos mudar isso através da informação séria, com metodologia e cientificidade histórica.

Quanto a isso, precisamos entender porque o revisionismo não pode ser considerado científico, ou mesmo imparcial em sua análise da História. Seus adeptos se colocam com a pretensão de revisar a História, usando para isso uma falsa cientificidade não visualizada por receptores leigos. Os revisionistas são normalmente anti-semitas interessados em vilanizar os judeus e os aliados em detrimento da demonização que foi feita da Alemanha. Para isso relativizam as declarações de testemunhas da época, dizendo que elas “exageravam nos relatos de suas vivências” (Krause-Vilmar, p. 1), negam o número de pessoas assassinadas, as técnicas do extermínio em massa, a existência das câmaras de gás e até o fato de que se os crimes foram realmente cometidos, não foram ordenados pelas lideranças nazistas. Eles usam de diversas descontextualizações de relatos, fatos e documentos, afirmando que os judeus é que formavam um complô internacional e que a guerra foi imposta aos alemães. Chamam de “mentirosos” os ex-presos dos campos de concentração e extermínio e manipulam informações tendo em vista seu interesse revisionista. “Um dos negadores do holocausto, Stãglich, desacredita as testemunhas oculares dos assassinatos ocorridos nas câmaras de gás com as seguintes palavras: “Na medida em que as testemunhas dos assassinatos nas câmaras de gás são judeus, elas nos ficam devendo uma explicação convincente para a pergunta da razão de justamente elas terem sido poupadas dessas ações de extermínio” (Krause-Vilmar, p. 6). Vemos aqui o quão apelativo pode ser o discurso revisionista.

Sabemos bem que os crimes ocorreram dos dois lados (eixo e aliados), mas não é pela negação dos crimes nazistas que podemos acusar os aliados. Negar o holocausto é ferir a memória dos milhões de mortos e sobreviventes dos horrores dos campos de concentração. Vemos cada vez mais a insuficiência de informações científicas sobre o tema influenciar negativamente o censo-comum, impregnado pela cultura pop de revistas que mistificam demais o nazismo e adquirem caráter de divulgação reducionista de toda a questão.

É certo que não é qualquer argumento revisionista que é de fácil refutação, pois ainda existem muitos mistérios em torno do holocausto, mas no geral podemos sim demonstrar que os revisionistas são falaciosos, parciais e anti-semitas, além de muitas vezes, neonazistas; primeiro pelo método que aplicam para justificar suas crenças, apoiando-se em manipulações interesseiras dos fatos; segundo pela quantidade de provas irrefutáveis que comprovam a prática do assassinato em massa, como os diários de diversos oficiais. O mais importante em meio a essa questão é atrair a atenção do público para o que é real e o que foi manipulado, selando, assim, o compromisso que a história tem de divulgar criticamente o passado.

Bibliografia: Krause-Vilmar, Dietfrid. “A negação dos assassinatos em massa do nacional socialismo: desafios para a ciência e para a educação política”.

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