O texto de Luis Milman se desenrola tendo como base o histórico do pensamento revisionista. Ele coloca que desde os anos 80 a preocupação entre intelectuais e ativistas dos direitos humanos vem aumentando de acordo com a necessidade crescente de elucidação de toda a questão do holocausto e a refutação às afirmações negacionistas.
Para Milman, discutir o negacionismo é discutir o anti-semitismo, pois através de algumas análises desse fenômeno vemos a direção que ele pretende seguir. A divisão inicial do texto em constatações preliminares facilita a visualização dessa idéia colocada.
A primeira constatação é que o negacionismo não é uma interpretação alternativa da história através de uma perspectiva historiográfica, sendo uma construção fictícia. Isso nos obriga a lembrar que memória e história não são a mesma coisa, pois a primeira é completamente volátil, enquanto a segunda tem caráter científico bem definido. Os negacionistas usam de muitas explicações simplistas para negar o holocausto e dicriminalizar, assim, o regime nazista. A questão é que não há a possibilidade de se travar uma disputa quanto a existência ou não do extermínio em massa e a forma como foi planejado e executado, pois existem muitas provas, documentação suficiente e testemunhos para sabermos o que ocorreu. Esta seria uma segunda constatação.
A terceira está baseada na tentativa de minimizar os crimes nazistas do decorrer da guerra comparando-os aos crimes cometidos pelos aliados, tanto na guerra quanto em outras épocas. O negacionismo é uma deformação histórica que usa de uma “demagogia pseudocientífica” para conseguir adeptos a sua ideologia. O holocausto colocado como crime de guerra e os judeus sendo comparados a outros inimigos em alusão, como os argelinos para os franceses durante as décadas de 50 e 60, ou o Vietnã para os EUA, são um exemplo dessa demagogia comparativa de caráter falacioso que pode acabar por convencer. É uma racionalização sobre as circunstâncias d guerra que não é justificável, mesmo em meio a outros crimes contra a humanidade.
“Os negacionistas apresentam-se como pesquisadores dedicados a questionar a ‘história oficial’”, mas quando vistos de perto são anti-semitas preocupados em habilitar o fascismo e o neofascismo. O negacionismo também é apropriado como “forma de denunciar um alegado artificialismo de Israel (...). Desse modo, o negacionismo passa a servir de justificativa para a rejeição de qualquer forma de compromisso com a existência política de Israel, rejeição a qual apegam-se setores árabes e muçulmanos ideologicamente intransigentes” (Milman, pg. 3).
Milman trata também de Rassimir e Faurisson, “personagens em torno dos quais a escola negacionista construiu suas bases atuais” (Milman, pg. 4). Estes personagens, como muitos outros, ganham cada vez mais uma cara neofascista, a medida que a extrema direita radical e anti-semita se agrupa em torno deles. Apesar disso, uma esquerda radicalmente anti-sionista acolheu Farisson, o que criou uma disputa em torno do negacionismo na França, causando uma grande confusão na natureza do movimento.
É clara a visualização de quem compõe o negacionismo hoje em dia: anti-semitas, saudosistas de Vichy e neonazistas, que, na maioria das vezes, possuem discursos repetidos, por vezes absurdos e sempre parciais. Vale ressaltar que a “história oficial” não pode ser visualizada apenas como a versão dos vencedores, e sim como preocupada em estabelecer o que ocorreu ou não de maneira científica, para que crimes contra a humanidade sejam impedidos no futuro.
Bibliografia: Milman, Luis. Negacionismo: Gênese e desenvolvimento do extermínio conceitual.
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